quarta-feira, 24 de maio de 2017

ALGUNS FATOS E FOLCLORE SOBRE O TRABALHO GERENCIAL (III)

Esta postagem reúne excertos extraídos de ‘The Manager's Job: Folklore and Fact”, publicado no Harvard Business Review julho-agosto de 1975) sobre as características da função, com o arcabouço do contexto da função que foi publicado como “Rounding Out the Manager's Job” no Sloan Management Review (outono americano de 1994).

Folclore III: o gerente sênior necessita de informações, agregadas, as quais um sistema formal de informações administrativas proporciona da melhor forma possível. Tendo em vista o ponto de vista clássico do gerente como a pessoa acomodada no ápice de um sistema hierárquico regulamentado, o gerente de literatura deveria receber todas as informações importantes de um gigantesco e abrangente Sistema de Informações Gerenciais (SIG). Todavia, isso nunca se provou ser um fato. Um exame de como os gerentes, na realidade, processam as informações esclarece o motivo. Os gerentes têm sob seu comando cinco meios de comunicação - documentos, telefonemas, reuniões agendadas e não-agendadas e rondas de observação.

Fato: os gerentes têm preferência pela mídia verbal, isto é, telefone e reuniões. A prova provém de todos os estudos preliminares sobre o trabalho gerencial. Considere o seguinte:

Em dois estudos britânicos, os gerentes gastaram uma média de 66% e 80% de seu tempo em comunicações verbais (orais) (Stewart, 1967; Burns, 1954). Em meu estudo de cinco executivos principais americanos, a porcentagem foi de 78%.

A ênfase do gerente na mídia verbal levanta duas questões importantes.

Em primeiro lugar, a informação verbal está armazenada no cérebro das pessoas. Somente quando as pessoas passam essas informações para o papel é que elas podem ser armazenadas nos arquivos da organização seja em gabinetes metálicos ou na memória dos computadores - e, aparentemente, os gerentes não anotam muito que ouvem. Assim, o banco de dados estratégico da organização não está na memória dos computadores, mas na cabeça dos gerentes.

Segundo, o extenso uso que os gerentes fazem da mídia verbal ajuda a explicar por que esses indivíduos relutam em delegar. Quando percebemos que grande parte das informações importantes dos gerentes vem de forma verbal e é armazenada em suas cabeças, podemos bem reconhecer sua relutância. Não é como se pudessem entregar um dossiê a uma determinada pessoa; precisam de tempo para "despejar memória" - contar a outros tudo o que sabem sobre o assunto. Mas isso consumiria tanto tempo que os gerentes consideram mais fácil realizar as tarefas eles mesmos. Desta forma, eles ficam amaldiçoados pelos seus próprios sistemas de informações a um "dilema de delegação" - fazer demasiado eles próprios ou delegar a seus subordinados com briefing inadequado.